biografia    discografia    videos    fotos    contato   
 

Luz - Clara Redig canta Francis Hime
(CID, 2005)

idealização, roteiro e produção: Clara Redig
arranjos, regência e direção musical: Nelson Angelo
produção executiva: Dharma Produções - Miguel Bacellar
projeto gráfico: Angela Bressane
revisão e edição de texto: Letícia Campos
Estúdio de gravação - bases: Tenda da raposa - Carlos Fuchs
Estúdio de gravação: Combo Mix
Engenharia de som e mixagem: Cláudio Guimarães
Masterização: Combo Music - Claudio Guimarães

músicos:
Nelson Ângelo - violão
Marco Tommaso - piano
Cristiano Alves - clarinete / clarone
Paulo Guimarães - flautas / piccolo
Mário Sève - saxes e flautas
Vitor Santos - trombone
Lui Coimbra - cello
Marcio Mallard - cello
Fabio Presgrave - cello
Dôdo Ferreira - contrabaixo
Ricardo Costa - bateria e percussão

músicas:

  • Choro rasgado
    (Francis Hime - Olivia Hime)
  • Embarcação
    (Francis Hime - Chico Buarque)
  • Duas faces
    (Francis Hime)
  • Maravilha
    (Francis Hime - Chico Buarque)
  • O sim pelo não
    (Francis Hime - Edu Lobo)
  • Valsa rancho
    (Francis Hime - Chico Buarque)
  • Luz
    (Francis Hime - Nelson Angelo)
  • Trocando em miúdos
    (Francis Hime - Chico Buarque)
  • Carta
    (Francis Hime - Ruy Guerra)
  • Sem mais adeus
    (Francis Hime - Vinicius de Moraes)
  • Cada canção
    (Francis Hime - Olivia Hime)

    imagens:
    lançamento do CD Luz
    lançamento do CD Luz
    lançamento do CD Luz
    lançamento do CD Luz
    lançamento do CD Luz
    lançamento do CD Luz
    lançamento do CD Luz

    por Ricardo Cravo Albim:

    Ao acabar de ouvir pela segunda vez este CD, bateram-me à cabeça, quase de imediato, os versos-verdade de Vinicius de Moraes no Samba da benção, aqueles que asseveram ser "a vida a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida". É que eu conheço Clara Redig inclusive como arquiteta e filha de arquiteto, um clã de estirpe - há muito tempo, encontrando-me com ela muitíssimo amiúde, em cena, na temporada bem sucedida do "show" que escrevi , dirigi e apresentei para meus queridos Cantores do Chuveiro. É que conheço Francis Hime há um tempão, encontrando-me com ele também muitíssimo quando criamos em conjunto a imorredoura Sinfonia do Rio de Janeiro de S. Sebastião. Quando Clara me visitou na sede do Instituto, cá na Urca, portando numa mão o disco saído do forno na véspera e na outra mão o Nelson Ângelo, percebi a fatalidade da verdade imortal do Vinicius. Este, por sinal, parceiro inicial do Francis e também homenageado no show dos Cantores do Chuveiro. E aí ouvimos, todos juntos, o disco pela primeira vez.

    As gratas surpresas e os encontros, os referidos pelo Vinicius, perfilaram toda a audição. O primeiro foi o frescor juvenil da voz de Clara, emitida com uma simplicidade que medeia entre a elegância e a descontração, nada forçando, em nada sendo intrusa ou inconveniente. Até porque logo observei que, vez por outra, a voz de Clara neste CD me soava com umas pitadas de Nara Leão aqui e acolá. Involuntária influência? Com certeza, até pelo susto que ela demonstrou ante a minha observação. Bem, outro "encontro" - esse essencial - são os arranjos de Nelson Ângelo, criativos e até opulentos por vezes, em se tratando de disco independente. Nelson, um dos melhores músicos do país sem qualquer favor, esgrimiu aqui seu talento e bom-gosto, ajudado por nomes do porte de Mário Sève, Paulo Guimarães, Vítor Santos, Dôdo Ferreira, Marcio Mallard, para citar apenas alguns de um belo naipe de instrumentistas.

    O "encontro final" - também um dado exclusivamente atribuído à Clara, essa corajosa e decidida leoa com voz de anjo - é a música de Francis Hime, um dos capítulos mais reluzentes da história da MPB. Cada música e cada linha melódica (mestre na melodia é o nosso Francis) são aulas solares como bem compor. Não fosse sempre sua obra nivelada a dos mais inspirados compositores populares do mundo. Em resumo, o disco que Clara Redig corajosamente acaba de realizar bem que poderia - e deveria, fiquem certos - ser produzido por uma grande companhia de discos. Elas que tantas vezes gravam bobagens que nos fazem corar de vergonha...

    Ricardo Cravo Albin
    outono de 2004

    o que dizem:

    "Profissionais bem-sucedidos em suas carreiras cada vez mais descobrem que a maturidade pode ser o momento certo para dar asas ao sonho de mudar de profissão. Virar artista, por que não? Na juventude eles sonharam em ser cantores, bailarinos, atores…. Sonharam em viver da arte, mas o preconceito os obrigou a seguir carreiras que os pais planejaram….Ainda bem que o tempo passa, o mundo dá voltas, e agora, depois dos 50 anos de vida, eles encontraram a hora certa de virar artista. A arquiteta Clara Redig, por exemplo, convive há quase uma década com uma segunda personalidade: a cantora Clara Redig. Originária de uma tradicional família carioca (é filha do arquiteto Olavo Redig de Campos que, entre outras obras, construiu a casa que hoje abriga o Instituto Moreira Salles,na Gávea), Clara seguiu a profissão do pai, fez carreira e, depois de completar 50 anos, resolveu realizar um sonho que a acompanhava desde menina : voltou aos estudos de música, iniciou aulas de canto e nunca mais parou de soltar a voz. O primeiro show foi em 1995, aos 51 anos. Desde então, já fez 9 apresentações solo. A partir de 2000, passou a integrar também o grupo Cantores do Chuveiro., formado por profissionais liberais acima de 50 anos que nunca tinham tido experiência anterior como cantores profissionais. Neste projeto, Clara teve oportunidade de enfrentar grandes platéias com os espetáculos "100 anos de MPB", "Cinema Tocado" e "Luz, Chuveiro...Ação". Ao mesmo tempo, prosseguiu em sua carreira individual e gravou dois cds, em produção independente "Clara Redig" em 1998 e"Encontros Femininos" em 2001. Seu trabalho mais recente é uma homenagem, inédita, a um dos maiores compositores da MPB, Francis Hime, com o CD LUZ- Clara Redig canta Francis Hime. Apesar do novo cd e dos shows para apresentá-lo, Clara não tem ambições de se tornar uma cantora comercial. "Cantar me dá uma alegria imensa e a gravação e os espetáculos têm como objetivo me permitir compartilhar esse sentimento com outras pessoas", diz Clara." (Eloyza Guardia - Revista 50&mais, 6/2006)

    "O dito popular segundo o qual a vida começa aos 40 não se aplica à cantora Clara Redig. Pelo menos no que diz respeito à sua vida profissional. Foi depois de completar 50 anos que a arquiteta transformou a paixão pela música, que a acompanha desde a infância, na sua principal atividade. Após três anos de aulas de canto lírico, Clara subiu ao palco pela primeira vez em 1995, aos 51 anos, no Vinicius Piano Bar, em Ipanema. Desde então, ela fez mais de uma dezena de shows e lançou três discos independentes - Clara Redig (1998), Encontro feminino (2001) e Luz (2005), dedicado à obra de Francis Hime. O repertório do último CD é a base do show que a intérprete abre amanhã, às 20h30, no J Clube, da Casa Julieta de Serpa, no Flamengo. Mais uma etapa do sonho da cantora de 62 anos que se tornou realidade por acaso." (Nelson Gobbi - Jornal do Brasil, 23/3/2006)

    "O CD Luz é lição para muito profissional. Além de ter gosto e afinação, Clara Redig soube escolher o arranjador, Nelson Angelo (só a introdução jobiniana do samba Duas faces já valia a escolha), e teve a coragem de encarar obra tão sofisticada através de lados B." (Hugo Suckman - O Globo, 3/5/2005)

    "Clara Redig soube colocar seu melódico material vocal a serviço de repertório inspirado. Dedicar um álbum às músicas de Francis Hime foi um achado. Aliás, trata-se doprimeiro tributo à obra do compositor. O outro acerto foi arregimentar o violonista Nelson Angelo para fazer os arranjos do CD - todos criativos e à altura das músicas. O repertório tem um ou outro clássico, como Trocando em miúdos, mas prioriza temas pouco conhecidos da obra de Hime. Mais um motivo para conferir o disco." (Mauro Ferreira - O Dia, 03/05/2005)

    "Clara Redig é cantora discreta, que atua a serviço do repertório. Como neste CD o repertório é coeso e muito bom (apenas composições de Francis Hime), ela oferece o que tem de melhor. Só tangencia a obviedade em músicas que, de tão bonitas, não podem ficar de fora: Trocando em miúdos e Sem mais adeus. Nas outras nove faixas, encanta ao acentuar preciosidades pouco lembradas, como as buarquianas Embarcação e Valsa rancho. POR QUE OUVIR: Maravilha e Carta são lindas músicas que estavam quase esquecidas no disco Passaredo, um dos melhores de Francis" (LFV - Folha de São Paulo, 13/05/2005)

    "Com a maestria de uma veterana e o frisson emocionado de uma iniciante, Clara se cercou de ótimos músicos e, para comandar toda a trupe, escolheu a sabedoria mineira de Nelson Ângelo. Clara Redig, que sempre estudou música mas estreou no palco aos 52 anos, fez um CD para se orgulhar por uma vida inteira. Desde a idéia passando pela realização e chegando a um produto final irretocável. Inteligência, conhecimento de causa e competência provam que a artista que sempre existiu dentro da arquiteta não ode mais ficar na sombra. É hora de cantar." (Beto Feitosa - Ziriguidum.com, 19/05/2005)

    "A solidez da obra de Francis Hime gerou regravações por nomes de todos os naipes. Talvez nenhuma, entretanto, com a mesma desenvoltura que a intimidade de Clara Redig, misto de arquiteta e cantora, sedimentada por uma convivência com o maestro que remota aos anos sessenta, revela neste Luz - Clara Redig canta Francis Hime. O disco é produto de pesquisa iniciada pela cantora ainda no ano de 1996 e, pelos parcos recursos disponibilizados ao projeto, muito se aproxima de uma produção independente. Nem assim de baixa qualidade, nisso se refletindo a entrega dos arranjos ao experiente Nelson Ângelo, também especialista na obra de Hime, com quem inclusive compôs a pouco conhecida Luz." (Jorge Galvão - Diário de Natal, 7/8/2005)

    o que ela diz:

    Conheço Francis Hime desde nossa adolescência. Anos 60. Início da Bossa Nova. E nosso grupo de amigos se reunia para cantar ao som de seu piano. Som que ficou na minha memória para sempre.

    Em 1996, iniciei pesquisa sobre sua obra. Ano seguinte, apresentei um show só com composições suas. Ao final da apresentação, minha amiga Deise Galhardo, música excepcional, incentivou-me a aprofundar a pesquisa, plantando, assim, a "semente" que hoje se transforma em tributo ao grande compositor. Minhas apresentações nunca mais prescindiram de, pelo menos, uma música de Francis.

    O baixista Dôdo Ferreira, arranjador do show de lançamento de meu CD Encontro feminino (Mistura Fina em 2002), sugeriu-me escolher composições de Francis para gravar o próximo CD, por perceber minha emoção ao cantá-las. Foi ele quem primeiro acreditou neste projeto.

    Na pesquisa encontrei "Luz", cantada por Francis num antigo LP. Nelson Angelo, parceiro dele nessa música quase inédita, muito me honrou aceitando criar um arranjo especialmente para mim. Reuniu, então, músicos talentosíssimos para a gravação da base, no estúdio do Cláudio Guimarães. O resultado me inebriou - de luz e de felicidade.

    Diante do encantamento dos instrumentistas (em especial do Dôdo) pelo talento, cuidado e sofisticação de Nelson como arranjador, pedi que ele criasse os demais arranjos. Nossa parceria efetivou-se na finalização do roteiro, com 11 faixas. Ele pôs-se a trabalhar de forma incansável.

    Bases prontas - gravadas no estúdio de Carlos Fuchs - convites a outros músicos para, novamente no estúdio de Cláudio Guimarães, "ilustrarem" essas bases com sopros, cordas e percussão.

    Finalmente, o indescritível prazer de cantar ao som desses instrumentos, dirigida firme e delicadamente por Nelson e contando com a competência e a sensibilidade dele e do Cláudio para fazer do trabalho de criação artística o veículo mais perfeito à sua expressão.

    Clara Redig

  •